OS HERÓIS SILENCIOSOS DA EXPERIÊNCIA VIVIDA

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O presente artigo analisa o contributo histórico, institucional e moral dos reformados dos Órgãos de Defesa e Segurança de Angola enquanto “heróis silenciosos da experiência vivida”. A expressão “heróis silenciosos da experiência vivida” não é um termo técnico fixo, mas uma metáfora. Em geral, ela significa: Pessoas comuns que enfrentaram dificuldades reais ao longo da vida; que aprenderam com a prática, com erros, perdas e desafios; que contribuem, cuidam ou resistem sem buscar reconhecimento público; Cuja sabedoria vem da experiência directa, não apenas de teoria ou discurso; heróis porque demonstraram/ demonstram coragem, resiliência ou generosidade; silenciosos porque não aparecem em destaque, não são celebridades nem recebem aplausos e; da experiência vivida porque seu valor vem do que viveram e atravessaram, não do que apenas estudaram ou disseram. Defende-se que militares, polícias, agentes de inteligência, protecção civil, migração, sistema penitenciário e demais forças legalmente constituídas foram/são pilares fundamentais na conquista da independência, na defesa da soberania e na consolidação da paz. O estudo adota uma abordagem histórico-reflexiva, sustentada na teoria do Estado, na memória colectiva e na ética pública. “A história real de um Estado constrói-se tanto pelos seus vencedores visíveis quanto pelos seus servidores. Palavras-chave: Órgãos de Defesa e Segurança; Reformados; Memória Colectiva; Soberania; Estado Angolano; Paz.
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O PAPEL DA EDUCAÇÃO CIENTÍFICA NA DESCONSTRUÇÃO DE PRÁTICAS SUPERSTICIOSAS ENTRE OS JOVENS AFRICANOS

Apraz-me dispensar algum tempo para redigir algumas linhas sobre o fenómeno que surgiu não só em Angola, mas também em outros países africanos: o “desaparecimento de órgãos genitais”, com maior predominância entre a juventude do sexo masculino. Hoje em dia, a vida está cada vez mais difícil. Acordamos, saímos para caminhar e não sabemos o que vai/pode acontecer connosco. Temos medo de ir às ruas e não voltar para casa com o “pilóló, o Joãozinho” ou o vulgo “PIPITO”. Circulam imagens e informações de que basta um simples toque de certos indivíduos para o “pilóló” sumir, encurvar ou encolher. Verdade ou mito?

A ser verdade, é a nossa africa enfrentando desafios relacionados ao desenvolvimento científico, educacional e social. Apesar dos avanços tecnológicos e do crescimento da globalização, persistem em algumas sociedades africanas crenças supersticiosas associadas à feitiçaria e fenómenos místicos. A educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo” (FREIRE, 1996, p. 67). Esta afirmação demonstra que a transformação social depende directamente da formação intelectual e crítica dos cidadãos.

Nos últimos anos, países como Angola, Moçambique e a República Democrática do Congo têm registado episódios relacionados a alegados desaparecimentos de órgãos genitais atribuídos à magia negra. Tais fenómenos têm provocado medo colectivo, perseguições e violência comunitária. Os factos sociais devem ser tratados como coisas” (DURKHEIM, 2007, p. 15), significando que fenómenos sociais devem ser analisados cientificamente e não apenas emocionalmente.

Em algumas regiões do leste de Angola e em determinadas circunscrições de Luanda, rumores ligados à feitiçaria têm gerado instabilidade social. A verdadeira ignorância não é a ausência de conhecimento, mas a recusa em adquiri-lo” (POPPER, 1972, p. 42). Tal pensamento reforça a necessidade da educação científica como instrumento de combate à desinformação e ao obscurantismo social.

A propagação de crenças supersticiosas e fenómenos de pânico colectivo em algumas sociedades africanas levanta preocupações sobre o nível de educação científica e consciência crítica da juventude. O conhecimento pertinente deve enfrentar a complexidade” (MORIN, 2000, p. 39). Isso significa que os problemas sociais exigem abordagens científicas e racionais.
Diante desta realidade, formula-se a seguinte questão científica: De que forma a educação científica pode contribuir para a desconstrução de práticas supersticiosas e fenómenos de pânico social entre os jovens africanos?
O objectivo geral propões analisar o papel da educação científica na desconstrução de práticas supersticiosas entre os jovens africanos, tomando como referência os casos de Angola, Moçambique e República Democrática do Congo.

A relevância deste estudo reside na necessidade de compreender como a insuficiência da educação científica pode contribuir para o crescimento de fenómenos supersticiosos que afectam negativamente a estabilidade social, a juventude e o desenvolvimento humano em África.

O estudo é importante porque aborda uma problemática contemporânea que interfere directamente na convivência social, na segurança pública, na saúde mental colectiva e no progresso intelectual da juventude africana. Além disso, o trabalho poderá contribuir para o fortalecimento de políticas públicas educacionais voltadas à promoção da literacia científica e do pensamento crítico.
Do ponto de vista académico, o estudo amplia o debate sobre a relação entre educação, cultura, superstição e desenvolvimento social no contexto africano.

ARBITRAGEM INSTITUCIONAL VS ARBITRAGEM AD HOC

Hodiernamente, é notório que a arbitragem em Angola tem conquistado um espaço significativo, consolidando-se ao longo dos anos como um mecanismo necessário, útil e eficaz para a resolução de litígios, sobretudo aqueles decorrentes das relações comerciais. Neste contexto, o presente artigo tem como escopo esclarecer as principais diferenças entre a arbitragem ad hoc e a arbitragem institucional, com especial destaque para as vantagens que poderá proporcionar o futuro Centro de Arbitragem da Ordem dos Advogados de Angola, à luz do quadro legislativo vigente. Pretende-se, ainda, clarificar a área de actuação dos centros de arbitragem nos termos definidos pela Lei e evidenciar as principais diferenças entre os centros de arbitragem e os tribunais arbitrais. Esta distinção é essencial, uma vez que é comum a confusão entre as competências de ambos: se, por um lado, os tribunais arbitrais exercem funções jurisdicionais; de outro, os centros de arbitragem têm natureza meramente administrativa.

NARRATIVA DA DÍVIDA COLONIAL

Meus compatriotas, irmãos e irmãs, angolanos e angolanas em particular e africanos
lusos no geral: noa últimos tempos, tem circulado informações nas redes sociais segundo
as quais Angola tem uma divida para com Portugal equivalente a 500 mil milhões de
euros. Caros compatriotas:
O colonialismo português, apesar de formalmente encerrado com as independências
africanas na década de 1970, permanece activo enquanto estrutura discursiva e simbólica
no espaço público lusófono. Uma das expressões mais persistentes dessa herança é a
narrativa segundo a qual Portugal teria deixado às suas ex-colónias um legado material
infraestruturas que justificaria uma suposta dívida histórica ou moral. Esta narrativa,
longe de ser inocente, constitui uma tentativa de reconfiguração do passado colonial como
empreendimento civilizacional, ocultando a violência que lhe foi constitutiva. Como
afirma Fanon, “o colonialismo não é uma máquina de pensar, mas uma máquina de
esmagar” (Fanon, 1961). Fanon faz essa afirmação porque entende o colonialismo não
como um projecto racional ou civilizatório, mas como um sistema de dominação violenta.
Para ele, o colonialismo não busca compreender, dialogar ou desenvolver os povos
colonizados; seu objectivo é subjugar, explorar e desumanizar. Assim, em vez de
estimular o pensamento ou a autonomia, o colonialismo funciona como uma “máquina de
esmagar”, pois impõe a força, destrói culturas, identidades e reduz os colonizados a
objectos de controlo e exploração.
No contexto angolano, esta retórica revela-se particularmente problemática, pois
ignora que a quase totalidade das infraestruturas coloniais foi construída para servir os
interesses da metrópole e das companhias concessionárias. Estradas, caminhos-de-ferro e
portos não nasceram para integrar o território ou melhorar a vida das populações
africanas, mas para acelerar a exportação de recursos e consolidar o controlo militar e
administrativo. Rodney lembra que “a infraestrutura colonial foi desenhada para drenar
riqueza, não para desenvolver sociedades” (Rodney, 1972). Rodney faz essa afirmação
mostrando que a infraestrutura colonial (estradas, portos, ferrovias) foi construída para
facilitar a extracção e exportação de riquezas para as metrópoles. Ela não tinha como
objectivo integrar territórios, fortalecer economias locais ou melhorar as condições de

vida da população colonizada, mas sim servir aos interesses econômicos do colonialismo,
aprofundando a dependência e o subdesenvolvimento das sociedades colonizadas.

A noção de dívida colonial assenta numa inversão histórica profundamente
ideológica: transforma o colonizador em benfeitor e o colonizado em devedor. Esta
inversão exige ser problematizada, pois ignora o carácter coercivo do sistema colonial e
o facto de que as infraestruturas foram financiadas, directa ou indirectamente, pelo
trabalho forçado africano. Em Angola, impostos como o imposto de cubata e o regime do
contrato constituíram mecanismos de financiamento da própria dominação. Mbembe
observa que “o colonialismo obrigou o colonizado a pagar pela violência que o
subjugava” (Mbembe, 2001). Mbembe fundamenta essa afirmação ao mostrar que o
colonialismo impôs custos econômicos, sociais e simbólicos aos próprios colonizados
para manter o sistema de dominação. Eles eram obrigados a pagar impostos, fornecer
trabalho forçado e sustentar a administração colonial e o aparato repressivo que os
controlava. Assim, o colonizado financiava a violência material e simbólica que o
explorava e o mantinha subjugado.

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